Por muito menos, pediram o impeachment de Fernando Collor. ****
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Não há comparação entre as trajetórias do então presidente e a do atual
governador do Rio de Janeiro. ****
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Os “empresários” Marcelo Mattoso de Almeida, que morreu pilotando o
helicóptero na Bahia, Fernando Cavendish, Sergio Luiz Côrtes da Silveira e
Arthur Cesar Soares de Menezes Filho – são estes os principais parceiros de
Sergio Cabral Filho, um jovem suburbano que abraçou a política e daí passou
a flertar com a elite e frequentar o eixo Leblon-Angra dos Reis-Miami-Paris.
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Parceiro 1 – ****
*Marcelo Mattoso de Almeida *
era um ex-doleiro, que se autoexilou em Miami, fugido de uma operação da
Polícia Federal, onde abriu uma revendedora de carros de luxo (por
coincidência, o nome da agência era First Class, o mesmo do empreendimento
na Bahia). ****
Voltando ao Rio de Janeiro, passou a frequentar a casa do governador,
tornando-se assíduo no Palácio Laranjeiras. ****
Por coincidência, na semana passada voltou de Paris fazendo escala em Miami.
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Parceiro 2 – ****
*Fernando Cavendish*, ****
dono da Delta Construções, era um empreiteiro de terceiro time e rapidamente
se tornou um dos mais ricos do país, depois que se aproximou do governador
Sergio Cabral Filho, ganhando as mais importantes licitações do Estado do
Rio de Janeiro, inclusive a reforma do Maracanã e a construção das novas
lâminas do Tribunal de Justiça.****
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Parceiro 3 – ****
*Arthur Cesar Soares de Menezes*, ****
o “Rei Arthur”, assim chamado porque é o grande artífice e planejador das
terceirizações e licitações no governo Sergio Cabral. ****
Em 2008, recebeu 23,5% (R$ 357,2 milhões) de tudo o que o governo estadual
pagou. ****
Na verdade, o reinado de Arthur César, do grupo Facility, se iniciou na
gestão de Anthony Garotinho e desde então jamais foi destronado. ****
Mas nem Garotinho ousou pagar tanto, em 2003, por exemplo, Arthur César só
levou R$ 58,5 milhões.****
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Parceiro 4 – ****
*Sergio Luiz Cortes da Silveira *
é o homem de Cabral na área da saúde. ****
O governador tentou emplacá-lo como ministro do governo Dilma Rousseff, que
declinou quando viu a lista dos processos que o secretário responde por
improbidade administrativa. ****
A corrupção de Côrtes virou manchete dos jornais e ele jamais explicou como
comprou o luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, que seu salário de
Secretário de Saúde não poderia pagar. ****
A atuação de Cortes rendeu ao governador uma interpelação judicial no STJ
(IJ nº 2008/0264179-0), promovida pelo Sindicato dos Médicos do Rio de
Janeiro e pela Federação Nacional dos Médicos.****
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Além dos quatro parceiros, o governador tem forte apoio da própria mulher,
Adriana Ancelmo Cabral, que se tornou o maior fenômeno da advocacia
nacional. ****
Saiu da função de advogada assistente na Alerj (2001 e 2003) para catapultar
sua carreira e fundar, em 2004, o Escritório Coelho, Ancelmo & Dourado
Advogados Associados, sociedade que mantém o maior número de causas
milionárias em que o Estado do Rio de Janeiro, suas autarquias e fundações
funcionam como parte ou contraparte.****
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*O ENRIQUECIMENTO DE CABRAL*
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Sérgio Cabral Filho vem de uma família de classe média baixa, nasceu no
Engenho Novo e foi criado no bairro de Cavalcanti, subúrbio do Rio. O pai,
conhecido jornalista e crítico musical, se candidatou a vereador e foi
eleito em 1982 e reeleito em 1988 e 1992. Cabral Filho se integrou à equipe
do pai acabou nomeado diretor da TurisRio, no governo Moreira Franco.****
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Em 1990, pegou carona no nome do pai e foi eleito deputado estadual,
tornando-se uma espécie de político-modelo. Recusou as mordomias da Alerj,
não usava o carro oficial, dirigindo seu modesto Voyage. Defendia duas
classes sociais: os jovens e os idosos, organizando os famosos bailes da
Terceira Idade, primeiro no Clube Boqueirão do Passeio, depois no Canecão.
Fazia uma carreira impecável, trocou o PMDB pelo PSDB e tinha tudo para dar
certo na política.****
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Até que se candidatou a prefeito do Rio, em 1992, e descobriu as famosas
“sobras de campanha”. Foi quando começou a enriquecer. Reeleito deputado
estadual em 1994, ligou-se a Jorge Picciani, que durante 6 anos foi
primeiro-secretário da Alerj, no período em que Cabral presidiu a casa
(1995-2007). Em 1994, foi novamente candidato a prefeito, amealhando “mais
sobras de campanha”.****
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Em 1998, tinha declarado um patrimônio de R$ 827,8 mil, mas já dava
demonstrações explícitas de enriquecimento ilícito. Ainda estava no PSDB,
mas rompeu com o então governador Marcello Alencar, que o denunciou ao
Ministério Público Estadual por improbidade administrativa (adquirir bens,
no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda de agente
público), pela compra de uma mansão no condomínio Portobello em Mangaratiba,
e de também de um luxuoso apartamento no Leblon.****
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Mas essa investigação foi arquivada pelo subprocurador-geral de Justiça Elio
Fischberg, em 1999, porque Cabral alegou que fazia “consultoria política”
para a agência do publicitário Rogério Monteiro, que lhe pagaria R$ 9 mil
por mês, quantia insuficiente para justificar os elevados gastos de Cabral,
mas o subprocurador parece que não eram bom em aritmética.****
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Em 1999, Cabral volta para o PMDB, e ainda como presidente da Alerj, se
aproxima do então governador do estado, Anthony Garotinho, que o ajuda a se
eleger senador em 2002, e depois o apóia na campanha para governador em
2006, com mais “sobras de campanha”.****
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Como governador, estrategicamente Cabral logo rompeu com seu protetor
Garotinho, mas manteve o “reinado” de Arthur César Soares de Menezes Filho.
E se ligou aos outros três mosqueteiros: Marcelo Mattoso de Almeida, o
ex-doleiro que morreu sexta-feira pilotando o helicóptero na Bahia, o
empreiteiro Fernando Cavendish, e o secretário Sergio Luiz Côrtes da
Silveira. Com isso, foi aumentando desmesuradamente a fortuna, que já não
dependia dos serviços de “consultoria” à agência do amigo Rogério Monteiro.*
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Hoje, o deslumbramento e o exibicionismo novo rico da família Cabral chega a
tal ponto que uma foto publicada por O Globo esta terça-feira diz tudo. O
filho de Cabral, Marco Antonio, aparece usando um relógio Rolex Oyster
Perpetual Daytona de Ouro Branco, que custa nas melhores lojas do país a
bagatela de R$ 50 mil. Não é preciso dizer mais nada. ****
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